domingo, dezembro 5, 2021
Início Interior JAIR DORNELAS NÃO PLANEJA VOLTAR A SEMAGRI E TRABALHA O PROJETO “LEITE...

JAIR DORNELAS NÃO PLANEJA VOLTAR A SEMAGRI E TRABALHA O PROJETO “LEITE LIVRE”

 EX-SECRETÁRIO DIZ ESTAR FOCADO EM AJUDAR A AGRICULTURA FAMILIAR A NIVEL DE ESTADO.

Afastado do cargo de secretário municipal de agricultura de Vilhena por ordem judicial desde 17 de março, Jair Dornelas falou com a nossa reportagem pela primeira vez sobre a decisão e seus planos futuros dentro do cenário político.

Iniciando sua fala, Jair destacou o bom trabalho que ele e sua equipe conseguiram realizar durante o período que esteve a frente da pasta: “Foi um periodo de muito trabalho e resultados, onde tivemos erros e acertos, mas sempre trabalhamos tentando acertar. Ressalto aqui o programa balde cheio, que quando assumimos tinha apenas 12 produtores inseridos e deixamos a pasta com 48, dando um incremento de 300% em pouco mais de um ano.” disse ele.

Sobre a compra de maquinas e implementos, o ex-secretário também avalia como positiva sua passagem pela pasta, tendo comprado importantes equipamentos para desenvolver grandes trabalhos como o programa porteira a dentro.

Ao assumir a secretaria, Jair contava com pouco mais de R$ 26 mil em caixa oriundos da arrecadação do programa e ao sair deixou um saldo de ter faturado R$ 1 milhão e 200 mil reais em 20 meses de gestão. Em relação ao numero de serviços prestados de maneira individual aos produtores ele lembra que assumiu no requerimento numero 193 e entregou com 4200. Sobre sua saída de forma inesperada do comando da pasta, Jair não esconde a decepção com a decisão do judiciário, que ele considera injusta e a atitude do prefeito em exonerá-lo, já que a ordem pedia apenas seu afastamento até o esclarecimento dos fatos.

“É claro que a gente fica chateado, recentemente estou terminando meu recurso quanto ao afastamento e a justiça conseguirá entender que não houve nenhum tipo de dolo ou eventual crime na minha conduta. O afastamento era preventivo e sou a favor disso, mas o prefeito preferiu me dizer por telefone que eu seria exonerado e não deu mais satisfações” pontuou ele.

Jair revela que as relações não vinham bem desde que ele percebeu que havia uma intenção de Eduardo Japonês em tirar maquinas pesadas e caminhões da SEMAGRI para suprir a demanda da SEMOSP, na época comandada por Marcelo Boca que planejava ser candidato a vereador.

“ Sempre deixei claro para o prefeito que não era de acordo com isso e reafirmei que quando a SEMOSP precisasse nós iríamos dar suporte como sempre foi feto, mas tirar definitivamente os equipamentos eu jamais iria permitir, pois acaso isso ocorresse o produtor rural ficaria desguarnecido” revelou.

Evitando tecer criticas, mas deixando claro que não pretende voltar ao comando da pasta, Jair se atém em dizer que tem novos objetivos e agradece o prefeito pelo tempo em que confiou em seu trabalho, ao produtor rural que buscou a SEMAGRI e aos servidores que o ajudaram a fazer uma gestão sólida e de resultados.

“ Saltamos de 3 para 6 caminhões caçamba, compramos uma prancha, um caminhão pipa e um cavalinho, além de 2 retroescavadeiras que vieram via convênio dando um incremento de mais de 70% na nossa frota. Isso tudo sem citar os programas de assistência ao produtor que foram criados na nossa gestão que mudaram a realidade da secretaria municipal de agricultura, então dá sim para dizer que me sinto realizado com tudo que aconteceu.” afirma.

Dornelas revela que embora haja um clamor dos produtores por sua volta, agora ele pretende percorrer o estado buscando apoio das associações rurais no sentido de iniciar um processo de quebra do monopólio dos laticínios que tanto tem feito mal aos produtores de leite do estado.

“São mais de 28 mil produtores de leite que vivem sobre o “jargão” dos laticínios que tomam decisões unilaterais de qual o preço a ser pago pelo leite e tirando deles a liberdade econômica em poder vender seu produto livremente. Ultimamente tivemos uma redução de mais de R$ 0,60 no preço do leite sem que ninguém fosse consultado sobre isso, e isso é inadmissível! Quero aproveitar o espaço e agradecer a deputada federal Jaqueline Cassol que essa semana alertou o governo do estado sobre a necessidade de cumprimento da lei que obriga as empresas a notificarem com no mínimo 10 dias de antecedência qualquer alteração no preço do leite, mas ainda é pouco! Precisamos de mais e de mais liberdade econômica.” contou o ex-secretário.

Detalhando como essas amarras podem ser quebradas Dornelas ressalta que um decreto presidencial de 1970 atrapalha ou impede definitivamente a comercialização do leite ln natura, dando poder quase que exclusivo aos laticínios sobre o produto.

“ Veja bem, o ex-presidente Emílio Médici no inicio de 1970 publicou um decreto proibindo a comercialização de leite cru em todo o território nacional alegando necessidade de resguardo da saúde pública e a manutenção das regras sanitárias, acho válido para aquela época onde quase não havia segurança alimentar em nenhum lugar do mundo, mas 51 anos depois esse decreto perdurar com força lei regulamentando uma atividade tão importante é impensável, para não dizer inadmissível! Então nosso trabalho agora vai ser o de convencer nossa bancada de senadores e deputados federais da necessidade em fazer o presidente Jair Bolsonaro revogar ou extinguir esse decreto que trava o setor. Todos nós sabemos que com a tecnologia de aferimento da qualidade do leite existentes hoje, os modernos processos de ordenha combinados com sofisticados processos de engarrafamento disponíveis o leite In Natura poderia sem duvida nenhuma ser comercializado com segurança abrindo assim um novo horizonte para a cadeia produtiva e libertando os produtores dessa semi-escravidão que vivem há anos” completou.

Jair vai além e diz que o mecanismo de lei para tornar isso possível já existe, mas a execução dele passa pela derrubada desse decreto que perdura há 51 anos.

“ Em fevereiro de 2017, então ministro da agricultura Blairo Maggi publicou uma instrução normativa que dá aos estados autonomia para criar normas e leis que dispõe sobre a comercialização do leite In Natura e outros produtos de origem animal e vegetal, mas para que essa instrução normativa passe a valer de fato temos que destravar a questão do decreto que é muito antigo e aí sim na esfera federal, em conjunto com o governo do estado e a assembléia legislativa construir um texto de lei que abra esse mercado dando ao produtor essa possibilidade de vender seu leite para quem ele quiser e pelo preço que ele achar conveniente, isso se chama lei da oferta e demanda, é o livre mercado, mas é preciso boa vontade política e muita sola de sapato e eu estou confiante e vou liderar o programa que entitulei de “leite livre” em Rondônia” falou ele.

Sobre lançar-se candidato nas eleições de 2022, Jair admitiu o desejo, mas prefere agir com cautela já que Vilhena além dele devem ter outros candidatos ao cargo de deputado federal.
“É claro que considero isso e tenho sido consultado pela direção estadual do meu partido, o PL, que tem como liderança o ex-deputado Luiz Cláudio e tem me animado bastante, mas ainda tem o caso do prefeito Eduardo que já deixou claro a intenção de disputar uma vaga e o do próprio secretário de estado Evandro Padovani que em 2018 quase foi eleito. Não pretendo abrir mão para nenhum dos dois caso a coisa tome corpo, mas respeitar as ideologias e espaços alheios é sempre saudável para o sucesso de um projeto dessa magnitude” finaliza

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments